segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A busca do sentido da vida

 Que força é essa que nos empurra para longe do conforto daquilo que é familiar, e nos faz enfrentar desafios, mesmo sabendo que a glória do mundo é transitória? Creio que esse impulso se chama: a busca do sentido da vida.

Por muitos anos procurei nos livros, na arte, na ciência, nos perigosos ou confortáveis caminhos que percorri, uma resposta definitiva para essa pergunta.

Encontrei muitas. Hoje estou convencido que tal resposta jamais nos será confiada nesta experiência, embora no final, no momento em que estivermos de novo diante do Criador, compreenderemos cada oportunidade que nos foi oferecida.

(Paulo Coelho)

terça-feira, 11 de março de 2014

O Cacto e a Rosa

[...] A rosa, toda boba, acha-se forte e protegida com seus meros espinhos. O cacto, riu da sua pose de durona ao ver toda sua senbilidade e delicadeza. Era uma pobre flor indefesa a rosa. Não tinha coragem de machucar uma formiga que fosse, o que tornava fácil demais contornar seus poucos espinhos para aproveitar do seu perfume. E a rosa, por sua vez, riu-se do cacto, que com todos aqueles seus espinhos, achava que podia esconder-se da dor.

O cacto não se achava capaz de se apaixonar. Conhecera muita maldade e traição em seu caminho árido, por isso exibia seus espinhos, imponente, para que ninguém pudesse se aproximar e se aproveitar dele. Mas a rosa, teimosa que só ela, aguentou firme cada farpada. Com seus espinhos a principio tentou em vão se defender. O cacto expunha sua fragilidade, e a rosa ficava corada de raiva. E foi não só por sua coragem, mas por sua delicadeza que enfim o cacto se rendeu. E ele, que por tanto tempo seu único temor era de ser ferido, agora só temia machucar a frágil rosa. Ela não merecia. Merecia alguém que a protegesse, então ele a protegeu de si mesmo. Mas ao ver a rosa chorar, pela primeira vez chorou também, e soube que não podia mais dela se afastar.

Seguiram então, com seu romance cheio de farpadas e muitas, mas muitas alegrias. Compreenderam enfim, que é possível contornar qualquer espinho, quando a necessidade de se estar junto, é maior do que a de estar protegido de tudo.

sábado, 4 de junho de 2011

Todos Estão Surdos

Desde o começo do mundo que o homem sonha com a paz. Ela está dentro dele mesmo, ele tem a paz e não sabe. É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo, tanta gente se esqueceu que a verdade não mudou quando a paz foi ensinada, pouca gente escutou. Meu Amigo, volte logo, venha ensinar meu povo. O amor é importante, vem dizer tudo de novo...
Outro dia, um cabeludo falou: "Não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados das cucas maravilhosas, mas se perdeu no labirinto dos pensamentos poluídos pela falta de amor. Muita gente não ouviu porque não quis ouvir. Eles estão surdos!
Tanta gente se esqueceu que o amor só traz o bem, que a covardia é surda e só ouve o que convém, mas meu amigo, volte logo, vem olhar pelo meu povo. O amor é importante, vem dizer tudo de novo...
Um dia o ar se encheu de amor e em todo o seu esplendor as vozes cantaram. Seu canto ecoou pelos campos, subiu as montanhas e chegou ao universo. E uma estrela brilhou mostrando o caminho. "Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade".
Tanta gente se afastou do caminho que é de luz, pouca gente se lembrou da mensagem que há na cruz. Meu Amigo, volte logo, venha ensinar meu povo que o amor é importante. Vem dizer tudo de novo...

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"Que eu me organizando posso desorganizar. Que eu desorganizando posso me organizar."
(Chico Science)

sábado, 28 de maio de 2011

Poesia Matemática

Às folhas tantas do livro matemático um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a do ápice à base uma figura ímpar; olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferóides. Fez de sua uma vida paralela à dela até que se encontraram no infinito.

"Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram (o que em aritmética corresponde a almas irmãs) primos entre si.
E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, círculos e linhas sinoidais nos jardins da quarta dimensão. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana e os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E enfim resolveram se casar, constituir um lar, mais que um lar, um perpendicular.
Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro sonhando com uma felicidade integral e diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos. E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal monotonia.
Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum, freqüentador de círculos concêntricos, viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era o triângulo, tanto chamado amoroso. Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser moralidade como aliás em qualquer sociedade...


(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Mas afinal, o que é o tempo?

Que definição é essa que supomos ser a verdadeira para dizer o que é o tempo? Um dia, de ócio produtivo, estava a refletir sobre o que viria a ser o tempo... Me veio a mente várias indagações dessas que permeiam a humanidade desde sempre... Quem, na verdade, impôs que o dia deveria ter 24horas ou o ano 365 dias, ou por que razão alguns meses tem 31 dias, outros 30, 28? Que verdade absoluta é essa que no aliena desde o dia em que nascemos até o dia em que vamos morrer? Datas, horas... Porém “Não nos cabe decidir quanto tempo vamos viver, e sim decidir o que fazer com o tempo que nos é dado.”
Ah... O tempo... “Se não me perguntarem eu sei o que é. Se tiver que explicar para alguém, não sei. O problema é que o passado não está mais aqui, o futuro ainda não chegou e o presente voa tão rápido que parece não ter extensão alguma. Aliás, se o presente só surge pra virar passado, não daria para dizer que o tempo é uma caminhada rumo a não-existência?”
Claro, está certo. A nossa caminhada na vida é, sem dúvida alguma, em direção a morte. Mas, o que nos torna especiais é que entre o nascimento e a morte, existe um breve espaço de tempo que podemos aproveitar da melhor maneira. Desde coisas simples como sair para passear com o cachorro num final de tarde de uma terça-feira, até aquele beijo inesquecível que te faz ter certeza que conheceu o verdadeiro amor. São infinitas variações sobre o mesmo tema.
Como dizia Renato Russo: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, por que na verdade nós nunca sabemos o dia em que vamos encerrar nossa participação na vida. Vamos viver, da melhor maneira que conseguirmos, vamos viver. Não vamos jogar fora todo esse precioso, e pouco, tempo que nos é destinado. Vamos todos em busca de nosso propósito maior, sermos felizes.
Como Einstein bem definiu, o tempo é “Uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão.”
Então, acreditem... Nunca é tarde pra começar!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Terceira do Plural



Tradução:  “A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior”.
(Victor Lebow, 1955, Economista Norte-Americano. O cara teve a idéia que originou nossa triste época…)


"Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar
Quem são eles? Quem eles pensam que são?"
(Engenheiros do Hawaii)

sábado, 14 de maio de 2011

Só de Sacanagem...

* Recomendo que leia ao mesmo tempo que assiste ao vídeo:


Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
" - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba."
E eu vou dizer:
"- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
E eu direi:
" - Não admito! Minha esperança é imortal!"
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

(Elisa Lucinda)